quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Dependentes químicos sofrem maus tratos em clínicas de tratamento ligadas a igrejas

Um documento divulgado pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP) nessa segunda feira revelou a precária condição de diversas clínicas de tratamento para dependentes químicos em todo o Brasil, muitas dessas ligadas a igrejas. Os problemas encontrados nessas instituições vão de falta de higiene, impedimento de comunicação com o mundo externo e falta de alimentação apropriada até extremos como castigos físicos, tortura e trabalho forçado.
Segundo a Agência Globo o conselho realizou vistorias em 68 instituições privadas em 24 estados do país, algumas delas possuem também convênios com o governo. O CFP afirma, em seu relatório que o modelo de tratamento praticado nessas clínicas viola a Lei Antimanicomial, que prega a integração social e familiar do dependente ao longo do tratamento, e não o seu isolamento.
Um dos locais vistoriados pelo CFP foi o Lar Cristão, em Cuiabá (MT), uma instituição evangélica onde as pacientes são obrigadas a seguir as regras do local – que são as mesmas da igreja Assembleia de Deus. A punição por não seguir as regras é a privação de refeições até mudar de ideia.
Outra clínica ligada a igrejas evangélicas visitada foi a Amparu – Comunidade Terapêutica Vida Serena, em Várzea Grande (MT). Nessa instituição os pacientes são obrigados a assistir ao culto. A abordagem terapêutica da Amparu é a chamada “Aprendizagem Rápida”, que consiste em acordar o interno às 4h da manhã para ele capinar um terreno por duas horas, sem intervalo para descanso. Na Shalom and Life, em Macaé (RJ), os pacientes são constrangidos a carregar uma pedra dentro de um saco plástico como forma de reconhecimento de sua culpa.
Já na Comunidade Nova Jericó, em Marechal Deodoro (AL), o interno deve rezar a Ave Maria como punição por eventuais desobediências. Nessa clínica outra forma de punição pelos deslizes são os quartos de isolamento, onde a pessoa fica sem luz e sem ventilação pelo tempo em que os funcionários determinam, dependendo da falta cometida. Nessa clínica os adolescentes e os adultos dividem o mesmo ambiente e os pacientes só podem usar o telefone se estiverem acompanhados de um funcionário da instituição.
Mas um dos locais que mais chocou os vistoriadores do conselho foi a Comunidade Terapêutica Grupo Oficina da Vida, em Teresina (PI). Nessa clínica os internos são obrigados a cavar um buraco de três metros por três em terreno pedregoso e depois preencher o buraco com terra, como punição para o descumprimento de regras internas.

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